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sábado, 20 de agosto de 2016

EXISTEM ESPÍRITOS?

Sim...
Comum é ouvirmos indagação como esta do titulo.
Embora grande parte da população do globo siga uma ou outra filiação religiosa, sendo assim, espiritualistas, ainda ha da parte de muitos a duvida dessa realidade: Há nos seres algo além da matéria em si.
Existe um principio independente do organismo físico?
As experiencias que temos vivenciado, desde a infância, nos confirmam este fato.
A convivência com nosso pai, espirita e médium, nos demonstrou inúmeros fenômenos, que somente a imortalidade do ser explica.
Quantas vezes pessoas sofridas, algumas já a longo tempo sendo amparadas por recursos médicos, vinham em nosso lar em busca de preces e alivio. Recordo como se fosse ocorrido neste instante, ele impor as mãos sobre suas cabeças, após uma prece sentida, transmitindo-lhes amoroso magnetismo através do conhecido passe, tão usado nas casas espiritas.
Logo em seguida, elas já se mostravam bem mais dispostas, animadas, revigoradas mesmo. Muitas dessas vezes nosso pai relatava a origem do problema de saúde, o órgão que estava necessitado de cuidados, e quantas relatavam mais tarde confirmando o fato e a melhora das mesmas.
Perguntava a ele como isso era possível, como ele sabia, como ele via o problema da pessoa e ele dizia que com os "olhos da alma", ou outras tantas vezes através do concurso de amigos de luz que se faziam presentes ao lado dos aflitos. Seres que não captava com meus olhos físicos, mas que tantas e tantas vezes se  faziam presentes em socorro as dores alheias.
Mais tarde, me debruçando nas obras espiritas de sua estante, fui compreendendo que realmente somos mais do que os olhos veem. Não somos a carne, os nervos, ossos, órgãos... somos o Espirito Imortal que comanda e coordena esse veiculo material que chamamos corpo.
Em o Livro dos Médiuns, assim Allan Kardec aborda o assunto no 1º capitulo: "A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só concedem os Espíritos através das estórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas estórias, desprovidas do pitoresco, podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. (...) 
Seja qual for à ideia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental."
E dentro desses fatos experimentais, não podemos recusar as experiencias de homens e mulheres dignos e honrados, como William Crookes, Charles Richet, Elizabeth D'Esperance, Luis Almeida, Herculano Pires, Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade e muitos outros que com toda seriedade pesquisaram o assunto, com todo critério cientifico, afirmando o Espirito como a grande realidade humana.
Trazendo mais perto de nós, como não citar o inesquecível Chico Xavier, médium e homem extraordinário, que nos trouxe experiencias luminosas nesse campo. 
Certa vez, estando nosso estimado Chico em São Paulo, aproveitou para fazer uma visita de rotina ao seu médico oftalmologista, Dr. Nadir Sáfadi, que vinha cuidando de suas dificuldades de ordem visual.
O respeitado médico examinava as órbitas oculares de Chico com toda a atenção e cuidado que a profissão exige, quando soltou-lhe, à queima-roupa, a seguinte questão:
— Chico, me diga uma coisa, você vê mesmo os espíritos? Ao que Chico respondeu, prontamente:
— Vejo, sim, senhor, Dr. Nadir. É verdade que trago comigo a faculdade mediúnica da vidência!
O médico, curioso, retrucou-lhe:
— Mas como é que enxerga os espíritos com estes olhos, assim, tão debilitados`? Você os vê com estes olhos mesmo?
— Ah, não senhor. A mediunidade vidente não depende dos olhos do corpo físico. O assunto nos exige muito estudo, disse-lhe o Chico.
— Então, me diga se está vendo algum espírito aqui, em meu consultório, Chico.
— Eu confirmo que estou vendo um Espírito aqui conosco, Dr. Nadir.
— Mas, então, diga-me, Chico, quem é que está aqui? Qual o nome dele?
Chico parou por um momento, meio desconcertado. O espírito já havia se identificado, mas o estimado médium vacilava entre aceitar ou não aquele nome tão incomum. “Afinal — pensava Chico — — será que estou sendo vítima de alguma chacota dos Espíritos? Não me lembro de ter ouvido este nome antes, um nome assim tão estranho, me fazendo lembrar a figura da cebola! Meu Deus, que fazer?”
Tudo isso pensava silenciosamente o médium, deixando Dr. Nadir na expectativa da resposta.
Ante a sua insistência, Chico respondeu, afinal:
— Ele está me dizendo chamar-se Senobelino Serra. Diz ter sido natural de São José do Rio Preto. Dr. Senobelino Serra.
— Oh, Chico, não me diga que ele está aqui conosco! — espantou-se o Dr. Nadir. — Dr. Senobelino Serra foi meu professor, foi muito amigo meu!
Mais aliviado com a confirmação da identidade espiritual, Chico completou:
— Pois, então, é ele mesmo, Dr. Nadir. Ele está me dizendo que foi designado pela Espiritualidade Maior para ajudar o senhor na profissão de médico oftalmologista, juntamente com outros amigos, porque o senhor ajuda muita gente aqui no consultório, Dr. Nadir!
Visivelmente emocionado, o médico nada mais perguntou.
Nas palavras de Allan Kardec: "Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal."
São relatos assim, que nos fazem mais profundamente meditar sobre quem de fato somos e nosso papel dentro da Vida. Sem misticismo e sem toques de sobrenatural, o Espiritismo nos conclama a estudarmos o sentido mais profundo de nós mesmos. 
Sentido que todas as religiões, de um modo ou outro, também possuem em seus princípios. E que o Espiritismo somente vem reforçar e clarear, elevando as palavras do próprio Cristo aos nossos corações:

O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. (João 6:63)

terça-feira, 16 de agosto de 2016

DECÁLOGO DA PALAVRA


Não grite. Converse.
  A voz muito alta é semelhante a uma agressão sonora.

Não discuta.
  O diálogo é a melhor forma de entendimento.

Não conte vantagens.
  Muitos de nossos interlocutores possuem méritos que ainda estamos longe de adquirir.

Não ridicularize a ninguém.
  Todos somos passíveis de errar.

Não critique.
  Nenhum de nós está isento de observações corretivas, em nosso próprio favor.

Fale auxiliando.
  Uma frase de compreensão e de simpatia ampara sempre.

Não censure a quem quer que seja.
  Quando não seja exatamente por nós, precisamos de apoio verbal construtivo, em benefício de muitos dos nossos entes amados.

Não use palavras inadequadas ou ofensivas a essa ou àquela pessoa.
  Todos precisamos do respeito de uns para com os outros, a fim de vivermos em paz.

Não escolha o pessimismo para liderar a sua conversação.
  Não existe ninguém que não necessite de esperança e otimismo, na execução do próprio dever.

Nunca se arrependerá você de haver falado bem.
  É pela palavra edificante que mais depressa nos deslocamos para diante, buscando as conquistas da Vida Imperecível.

Espirito Hilário Silva
Médium Francisco C. Xavier

(Livro "Fé" — Autores diversos — F. C. Xavier / Carlos A. Baccelli)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

OS ANIMAIS... ESSES SERES EXTRAORDINARIOS

"Quando os seres humanos se convencerem de que todos os animais são seres sensíveis e inteligentes, o mundo terá dado um grande passo em direção a nossa própria evolução." (Marcel Benedeti)

Certamente você já viu pessoas que tratam os animais como membros da família, não é mesmo? O amor de um animal de estimação é algo único e as atitudes deles para com seu dono podem surpreender muita gente.
Para nossa reflexão sobre o papel desses seres extraordinários que nos acompanham, vamos falar de alguns casos em que esta fidelidade se transformou em heroísmo através de uma demonstração de amor... casos em que os animais salvaram as vidas de seres humanos.

Cão salva sua dona de morrer engasgada
No dia em que Debbie Parkhust, 45 anos se engasgou com um pedaço de maçã, ela tentou bater forte em seu próprio peito para tentar expulsar o pedaço, mas foi tudo em vão. Neste momento Tobby, a cachorrinha, a derrubou no chão e começou a pular com as patas sobre o peito de sua dona, ele conseguiu fazer com que ela cuspisse o pedaço de maçã.
No exato momento em que ela cuspiu o pedaço ele parou de pular sobre ela e começou a lamber seu rosto. Ela revela que ficou com vários hematomas no peito, mas foi graças a Tobby que ela está viva.
O cãozinho que salvou o bebê da cobra
Este fato conta a história do bebê de apenas um ano de idade Booker West, ele estava brincando no quintal da casa de seus avós quando uma cascavel surgiu rastejando em direção a ele, neste momento o pequeno chihuahua Zoey, de apenas 5 quilos pulou sobre a cobra e mordeu o réptil evitando que ela atacasse o bebê.
O Jack Russell Terrier que deu sua vida para salvar cinco crianças de cães selvagens
Em 2007, cinco crianças estavam brincando com o cão George quando eles foram atacados por pit bulls. "George tentou nos proteger latindo e correndo para cima deles", disse uma das crianças sobre o ataque ", mas eles começaram a mordê-lo -. Um na cabeça e outro nas costas".
Sua intervenção foi heróica ao salvar as crianças, embora mais tarde ele morreu de seus ferimentos. George foi postumamente premiado com uma medalha por bravura.
Homem salvo por golfinhos
Agora vamos falar de Ronnie, um pescador da baía de Puerto Princesa, seu bote virou durante uma forte tempestade e após 24 horas no mar quando já estava perdendo as forças, surgiram cerca de 30 golfinhos que empurraram o seu bote até a praia.
A situação de Ronnie era tão séria que ele desmaiou enquanto os golfinhos empurraram o bote. Assim que o bote chegou a praia, os moradores locais o ajudaram e depois fizeram o relato a ele do que havia acontecido.
Gorila salva criança no zoológico
Este caso aconteceu no zoológico de Illinóis nos EUA, um garoto de 3 anos acabou escalando o muro e caindo dentro do foco dos gorilas. Uma gorila fêmea chamado Binti Jua imediatamente correu e ficou carregando o menino protegendo-o dos outros gorilas.
Ela caminhou com o garoto nos braço até bem perto do portão por onde os tratadores entravam e ficou sentada até que escutou o barulho do portão abrindo, neste momento ela cuidadosamente colocou o garoto na pedra bem próximo do portão e se afastou.
O Espiritismo nos esclarece que todos os seres são criações de Deus, mais do que simples maquinas orgânicas, do mais simples aos mais complexos, somos espíritos em constante processo evolutivo. Do átomo ao arcanjo, seguimos todos crescendo e aprendendo, desenvolvendo os potenciais celestes que germinam em nosso intimo.
Chico Xavier tinha uma singular estima pelos animais; aqueles que frequentavam seu modesto lar sabem que o médium vivia cercado por algum animal doméstico.
Chico tinha um cão que atendia pelo nome de Lorde, o qual conhecia as pessoas que visitavam seu dono, quais eram as amigas, as curiosas e as maliciosas.

Palavras de Chico Xavier:

"- Senti-lhe, sobremodo, a morte . Fez-me grande falta.
Era meu inseparável companheiro de oração.
Toda manhã e à noite, em determinada hora, dirigia-me ao quarto para orar. Lorde chegava logo em seguida.
Punha as patas sobre a cama, abaixava a cabeça e ficava assim em atitude de recolhimento orando comigo.
Quando eu acabava, ele também acabava e ia deitar-se a um canto do quarto.
Em minhas preces mais sentidas, Lorde levantava a cabeça e enviava-me seus olhos meigos, compreensivos, às vezes cheios de lágrimas, como a dizer que me conhecia o íntimo, ligando-se ao meu coração.
Desencarnou.
Enterrei-o no quintal lá de casa..."

Ainda sobre esse admirável cão, conta-se que num dos passeios que fizeram no campo, em Pedro Leopoldo, em busca de ervas, entraram em uma caverna com o cão amarrado à coleira para que não se perdesse deles. Só que no final foram eles que se perderam e não conseguiam encontrar de modo algum a saída da caverna. Então, fizeram uma oração pedindo a mãe de ambos (já desencarnada) que lhes desse uma luz.
Como todo mundo sabe Chico, desde criança, sempre teve contatos com os espíritos dos desencarnados, inclusive, com a sua mãe que apareceu para ambos e disse: - Soltem o LORDE que está amarrado a vocês, que ele livre poderá levá-los até a saída. Assim fizeram e chegaram com o cão até a entrada.
Alguns anos mais tarde o seu irmão desencarnou e Lord acabou sozinho com o Chico, mas, com o tempo e a idade veio a falecer e para surpresa do Médium, o espírito de seu irmão veio para acompanhar o desencarne de Lorde e recebê-lo no plano espiritual. E José durante algum tempo, quando visitava o Chico, vinha acompanhado de Lorde que, ao contrário da maioria dos animais, não reencarnou rapidamente e ficou acompanhando seu antigo dono no plano espiritual.

Pensando sobre esses impressionantes fatos, é fácil entender porque São Francisco, o Poverello de Assis, com fascinante amor e lucidez, lhes chamava de irmãos!

terça-feira, 19 de julho de 2016

HUMILDADE E PACIÊNCIA

Por Márcia Q. Silva Baccelli

 

Cada época se define por uma visão do Universo e se exprime pela dominância de determinado tipo de homem.
Ontem, o homem dominava pela força física, lutando um contra o outro para deter o poder e a autoridade. Hoje, o homem domina pela ciência. É o conhecimento intelectual investigando os ares, a Terra e os mares. Amanhã será a vez do homem dominar através do coração, permitindo que o sentimento de amor seja o laço de união entre todas as criaturas.
A Doutrina Espírita alarga o nosso horizonte de compreensão a respeito da vida, ensinando-nos que ela é uma viagem que nos conduz a um objetivo: a conquista da perfeição.
Mas, pelo caminho, o espírito se defronta com inúmeros obstáculos e espinhos que ameaçam destruir os seus mais belos ideais. No entanto, se o seu olhar é dirigido para o alvo a atingir, pouco lhe importam as asperezas da senda.
Enquanto existirem duelos mentais e ódio sobre a face da Terra, o verdadeiro Reino de Deus ainda não terá chegado. Esse Reino de pacificação e de amor deverá banir do nosso mundo a discórdia e a guerra. Os homens não necessitarão sobrepor-se uns aos outros, não conhecerão entre si antagonismos senão a nobre “competição” de fazer o bem.
No Evangelho, encontramos a expressão de Jesus: “Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque eles possuirão a Terra.” (Mateus 5:4)
O mundo está impregnado de preconceitos monstruosos, onde aquele que responde aos golpes do ódio com o perdão é considerado um covarde, um bobo! A humildade e a caridade cristã ainda lutam para apropriar-se do coração humano, interditando o mal e exaltando o bem.
Chico Xavier falou-nos, certa vez, da importância da conquista do perdão para a garantia da paz, assim se referindo ao agressor:
— Você está perdoado pelo que fez, está perdoado pelo que está fazendo e está perdoado pelo que irá fazer!...
São os atos do passado, do presente e dos acontecimentos que estão por vir que interferem no comportamento humano. Mas o perdão abrange todas as etapas do desenvolvimento espiritual, garantindo a paz àqueles que o vivenciam em todas as épocas de seu aprendizado.
Recentemente, ao final do trabalho no Grupo Espírita da Prece, Chico foi abordado por um jovem, que indagou-lhe:
— Chico, é muito grande a luta que nós, os espíritas, estamos enfrentando para garantir a nossa transformação. Quais são os caminhos que devemos tomar para persistir na seara espírita?
— Ah, meu filho, só conseguiremos vencer através de dois caminhos: humildade e paciência!

(Fonte: “O Espírita Mineira) número 209, setembro/novembro de 1991)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

IRRADIANDO FORÇAS


Onde você esteja...
Com quem você esteja...
Saiba: você irradia forças incomensuráveis!
Embora de maneira inconsciente, dia-a-dia, relação a relação, estamos em constante permuta magnética.
Enviamos e recebemos energias.
Alimentamo-nos de forças da alma, renovamo-nos e criamos... a cada pensar, em todo sentir.
Não por acaso a medicina tem observado os efeitos das doenças psicossomáticas.
Nossa maneira de trabalhar os pensamentos e sentimentos determina a saúde ou doença.
A raiva, o melindre, a tristeza, a angustia, o ciume, podem realmente gerar enfermidades. 
Nos detendo, como exemplo, apenas no quesito rancor, magoa, raiva, as ciências psicológicas afirmam, sentir raiva excessiva e de forma constante pode trazer diversos males ao indivíduo ao longo do tempo. Podem surgir problemas como cansaço físico excessivo, falta de memória e problemas gastrointestinais... A raiva provoca uma descarga de adrenalina muito grande no organismo, e leva a alterações fisiológicas como aumento da pressão e dos batimentos cardíacos, tonturas, vertigens, tremores, sudorese, pelos arrepiados, inquietação e até insônia.
Ao longo do tempo, essas "descargas" de raiva podem acarretar doenças mais graves, caso ocorram com muita frequência e intensidade além do aceitável.
Sem que nos apercebamos, estamos disparando "bombas" em nosso mundo intimo, deteriorando nosso equilíbrio e paz.
Ha grande poder em nossa mente, em nosso coração. Essas energias materializam-se, condensam-se, gerando uma realidade nova em nossas vidas.
Mas além disso, essas forças também se exteriorizam. 
Como espíritos, temporariamente revestidos dessa matéria carnal, nossos sentimentos e pensamentos não ficam limitados ao nosso corpo, muito pelo contrario. Cada ser é um centro de forças a movimentar potencias. Em o Livro dos Espíritos, em resposta a questão nº 92, esclarecem os Benfeitores Espirituais a Allan Kardec que cada espirito é um centro que irradia para diferentes lados, e é por isso que parecem estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o sol, que não é mais do que um, e, não obstante, irradia por toda parte e envia os seus raios até muito longe. E na questão nº 420 eles reiteram, O Espírito não está encerrado no corpo como numa caixa: ele irradia em todo o seu redor...
Recordo interessante relato feito por Ramiro Gama, sobre Chico Xavier em seu livro "Lindos Casos de Chico Xavier":
Eram oito horas da manhã de um sábado de maio.
Chico levantara-se apressado. Dormira demais.
Trabalhara muito na véspera, psicografando uma obra erudita de Emmanuel.
Não esperara a charrete.
Fora mesmo a pé para o escritório da Fazenda.
Não andava, voava, tão velozmente caminhava.
Ao passar em frente à casa de Dona Alice, esta chama-o:
— Chico, estou esperando-o desde as seis horas. Desejo-lhe uma explicação.
— Estou muito atrasado, Dona Alice. Logo mais, na hora do almoço, lhe atenderei.
Dona Alice fica triste e olha o irmão, que retomara os passos ligeiros a caminho do serviço.
Um pouco adiante, Emmanuel lhe diz:
— Volte, Chico, atende à irmã Alice. Gastará apenas cinco minutos, que não irão prejudicá-lo.
Chico volta e atende.
— Sabia que você voltava, conheço seu coração.
E pede-lhe explicação como tomar determinado remédio homeopático que o caroável Dr. Bezerra de Menezes lhe receitara, por intermédio do abnegado Médium.
Atendida, toda se alegra. E despedindo-se:
— Obrigada, Chico. Deus lhe pague! Vá com Deus! Chico parte apressado. Quer recobrar os minutos perdidos.
Quando andara uns cem metros, Emmanuel, sempre amoroso, lhe pede:
— Pare um pouco e olhe para trás e veja o que está saindo dos lábios de Dona Alice e caminhando para você.
Chico para e olha: uma massa branca de fluidos luminosos sai da boca da irmã atendida e encaminha-se para ele e entra-lhe no corpo.
— Viu, Chico, o resultado que obtemos quando somos serviçais, quando possibilitamos a alegria cristã aos nossos irmãos?
E concluiu:
— Imagine se, em vez de Vá com Deus, ela dissesse, magoada, “vá com o diabo”. Dos seus lábios sairiam coisas diferentes, como cinzas, ciscos, algo pior…
Tenhamos consciência dessa realidade.
Em nós existem grandes capacidades ocultas, capazes de realizar grandes façanhas.
O próprio Cristo já asseverava: Tudo que eu faço vós podeis fazer, desde que tenham fé...
Busquemos compreender nosso mundo interior, as forças transformadoras da alma e não haverão desafios que não possamos vencer. 
Começando por aqueles que estão, ainda, em nós mesmos.
Hoje é dia completamente novo e você, desde já, pode começar a irradiar tuas forças de paz e de amor para a tua felicidade e dos que estejam em torno de ti!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A ALEGRIA DOS OUTROS


Um jovem, muito inteligente, certa feita se aproximou de Chico Xavier e indagou-lhe:
Chico, eu quero que você formule uma pergunta ao seu guia espiritual, Emmanuel, pois eu necessito muito de orientação.
Eu sinto um vazio enorme dentro do meu coração. O que me falta, meu amigo?
Eu tenho uma profissão que me garante altos rendimentos, uma casa muito confortável, uma família ajustada, o trabalho na Doutrina Espírita como médium, mas sinto que ainda falta alguma coisa.
O que me falta, Chico?
O médium, olhando-o profundamente, ouviu a voz de Emmanuel que lhe respondeu:
Fale a ele, Chico, que o que lhe falta é a "alegria dos outros"! Ele vive sufocado com muitas coisas materiais. É necessário repartir, distribuir para o próximo...
A alegria de repartir com os outros tem um poder superior, que proporciona a alegria de volta àquele que a distribui.
É isto que está lhe fazendo falta, meu filho: a "alegria dos outros".


Será que já paramos para refletir que todas as grandes almas, que transitam pela Terra, estiveram intimamente ligadas com algum tipo de doação?
Será que já percebemos que a caridade esteve presente na vida de todos esses expoentes, missionários que habitaram o planeta?

Sim, todos os Espíritos elevados trazem como objetivo a alegria dos outros.

Não se refere o termo, obviamente, à alegria passageira do mundo, que se confunde com euforia, com a satisfação de prazeres imediatos.
Não, essa alegria dos outros, mencionada por Emmanuel, é gerada por aqueles que se doam ao próximo, é criada quando o outro percebe que nos importamos com ele.
É quando o coração sorri, de gratidão, sentindo-se amparado por uma força maior, que conta com as mãos carinhosas de todos os homens e mulheres de bem.
Possivelmente, em algum momento, já percebemos como nos faz bem essa alegria dos outros, quando, de alguma forma conseguimos lhes ser úteis, nas pequenas e grandes questões da vida.

Esse júbilo alheio nos preenche o coração de uma forma indescritível. Não conseguimos narrar, não conseguimos colocar em palavras o que se passa em nossa alma, quando nos invade uma certa paz de consciência por termos feito o bem, de alguma maneira.
É a Lei maior de amor, a Lei soberana do Universo, que da varanda de nossa consciência exala seu perfume inigualável de felicidade.
Toda vez que levamos alegria aos outros a consciência nos abraça, feliz e exuberante, segredando, ao pé de ouvido: É este o caminho... Continue...

Sejamos nós os que carreguemos sempre o amor nas mãos, distribuindo-o pelo caminho como quem semeia as árvores que nos farão sombra nos dias difíceis e escaldantes.

Sejamos os que carreguemos o amor nos olhos, desejando o bem a todos que passam por nós, purificando a atmosfera tão pesada dos dias de violência atuais.

E lembremos: a alegria dos outros construirá a nossa felicidade!

"Um Elo de Amor e Fraternidade" - Vansan

quarta-feira, 22 de junho de 2016

LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER - HISTORIA DE UM SONETO


Por Ramiro Gama

Em 1931 desencarnara um amigo do Chico, em Pedro Leopoldo.
Cavalheiro digno, católico muito distinto e pai de família exemplar.
O Médium acompanha o enterro.
Na cidade, da igreja ao cemitério, é longo o percurso.
Um padre presente abeira-se do rapaz e pergunta:
— Então, Chico, dizem que você anda recebendo mensagens do outro mundo…
— É verdade, reverendo. Sinto que alguém me ocupa o braço e se serve de mim para escrever…
— Tome cuidado. Lembre-se de que o Espírito das Trevas tem grande poder para o mal.
— Entretanto, padre, os espíritos que se comunicam somente nos ensinam o bem.
O sacerdote retirou um papel em branco da intimidade de um livro que sobraçava e convidou:
— Bem, Chico, estamos no cemitério, acompanhando um amigo morto… Tente alguma coisa.
Vejamos se há aqui algum espírito desejando escrever.
Chico recebe o papel e concentra-se.
Em poucos instantes, sente o braço tomado pela força espiritual e psicografa a poesia aqui transcrita:


ADEUS
O sino plange em terna suavidade,
No ambiente balsâmico da igreja,
Entre as naves, no altar, em tudo adeja
O perfume dos goivos da saudade.
Geme a viuvez, lamenta-se a orfandade;
E a alma que regressou do exílio beija
A luz que resplandece, que viceja,
Na catedral azul da imensidade…
Adeus, Terra das minhas desventuras…
Adeus, amados meus… – diz nas alturas…
A alma liberta, o azul do céu singrando…
Adeus… – choram as rosas desfolhadas,
Adeus… – clamam as vozes desoladas
De quem ficou no exílio soluçando…
Auta de Souza, poetisa
Este soneto foi incorporado ao livro “Parnaso de Além-Túmulo”.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O FATOR ESPERANÇA


Cada dia que nasce é um novo recomeço, a todos nós.
Como nunca, temos de aprender a renascer perante os obstáculos do momento.
É certo que ha horas em que sentimo-nos sufocados, e por isso mesmo precisamos encontrar ar novo para os "pulmões" da alma.
Necessitamos de inspiração e relevante fé para superação.
Superação, principalmente, de nós mesmos.
Nos deparamos, diariamente, com muitos corações desenganados.
Há muita tristeza e desanimo envolvendo os sentimentos.
Há um descredito dos valores e da confiança na vitoria do bem.
Isso adoece e corrompe as melhores forças do ser.
Espalha angustia e depressão nos campos da alma.
Por isso, é hora de agirmos como agentes saneadores desses "miasmas" que tomam contam da atmosfera dos seres e das sociedades.
Devemos ser mensageiros da coragem, da paciência e da esperança, a onde a Vida nos convocar.
Mas como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo… (...) Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.
Quem também destaca essa energia como decisiva para a transformação dos problemas, é o querido Chico Xavier. 
Numa das famosas reuniões a sombra do abacateiro, em Uberaba, onde corações sofridos se reuniam à Luz do Evangelho, Chico falava, magnetizando em ternura e bondade.
Exaltando o valor da Doutrina Espírita ponderou que, quase todos nós, diariamente, sofremos pequenos traumatismos, e que, somados, no fim da semana representam uma carga muito grande, exigindo que “a pessoa tem que mostrar não apenas estrutura, mas também infra-estrutura”. 
Com os olhos fitos no Alto, Chico continua: “A infra-estrutura é a confiança em Deus. Devermos ter o nosso íntimo iluminado pelo Poder Supremo que nos governa. Precisamos criar o fator esperança, ter paciência; a paciência que descobre caminhos, sem alarde, para ajudar os outros e a nós mesmos...” 
Todos estavam embevecidos com a sua dissertação que, segundo sua própria expressão, reflete o pensamento do Espirito Emmanuel. 
Criar o fator esperança!... 
Sim, a esperança é uma força, um fator de vitória...
E desenvolvendo essa estrela em nosso intimo, iremos irradiar novas capacidades. Haveremos de inspirar outros corações, a fim que também descubram o poder oculto que possuem.
Não ha fatalidade no mal. Todos podemos modificar, em conjunto, o caminho de nossa sociedade.
Como dizia Gonzaguinha em uma de suas canções: "Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs... Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar! Fé na vida Fé no homem, fé no que virá! Nós podemos tudo... Nós podemos mais... Vamos lá fazer o que será!"
Conseguiremos irradiar o bem, de forma tão intensa, que toda sombra ha de desaparecer perante uma Nova Era, que se inicia na tua benevolência, carregada de Esperanças!

                            Semente do amanhã (Nunca pare de sonhar) - Gonzaguinha



sexta-feira, 10 de junho de 2016

OCORRÊNCIAS E LIÇÕES COM CHICO XAVIER

Por Arnaldo Rocha

   A bem da verdade, devo dizer que no início de nossa amizade estranhava muito a disciplina que Chico impunha à sua vida. Ele retornava do serviço na Fazenda Modelo à tarde, ocupando-se, incontinenti, em visitas aos enfermos, no atendimento aos necessitados e, ainda, além das noites de segundas e sextas-feiras, dedicadas às reuniões no Centro Espírita Luiz Gonzaga, aplicava-se ao trabalho silencioso de recepção de mensagens e livros ditados por instrutores espirituais. 
   Toda vez que eu voltava a Pedro Leopoldo, Chico inquiria-me com a mesma pergunta: — “O que está lendo? Fale-me de seus estudos e suas tarefas doutrinárias!” Com isso, aprendia a admirar e amar a “nossa alma querida”, exemplo de humildade, renúncia e abnegação. 
   Numa tarde de sábado, reunidos em casa de Luiza, decidimos inspecionar as obras do pequeno prédio que viria a ser a nova sede do “Luiz Gonzaga”. Chegando lá, deparamo-nos com situações de desentendimento e altercação.
    Dr. Rômulo Joviano e Lindolfo Ferreira — o responsável pelas obras — discutiam entusiasticamente em torno de ideias divergentes. Percebendo a presença de Chico, os dois amigos tranquilizaram os ânimos inflamados, de maneira que, em poucos minutos, todos conversavam saudavelmente, num clima de alegria e descontração. Após a saída de Dr. Rômulo, Chico informou-nos que o terreno onde estávamos comportara, outrora, a casa em que nascera e que aquele exato local havia sido o quarto em que sua mãe, D. Maria João de Deus, dera à luz. Uma revelação emocionante! 
     Lindolfo, abraçando-nos, disse:
— Ora, vejam só! Dr. Rômulo tem atitudes estranhas! Será que pensa estarmos ainda no cerco de destruição de Jerusalém? Estamos é construindo um templo de oração!!!
— Não se preocupe com o acontecido — disse-me Chico, algum tempo depois, a caminho de casa. — Dr. Rômulo e Lindolfo são os antigos inimigos encontrados no “Há dois mil anos”. O primeiro, nas vestes do senador romano Pompílio Crasso, amigo do também senador Publio Lentulus — Emmanuel. E o segundo, o bravo defensor da pátria judia, André de Gioras. Ambos, inconscientemente, estão recordando acontecimentos já passados. É bom nos lembrarmos do belo ensinamento emmanuelino: “O ontem muitas vezes fala mais alto do que podemos admitir no tempo a que chamamos hoje”. É por isso que em determinados estados da experiência física atual, ao nos envolvermos ou não em desarmonias mentopsíquicas e emocionais, permitimos que se nos aflorem, das criptas da inconsciência, cenas, fatos e sensações de existências passadas, que nos levam a atitudes não condizentes com os padrões estabelecidos e criados pela personalidade atual.
  Ensimesmado, procurava guardar a lição de Chico, apreendendo o sentido profundo que suas palavras encerravam.

(Livro Chico Xavier - Mandato de Amor)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

IMBATÍVEL VIDA



"Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundancia... (João 10:10)"
Assim nos falou ao coração, o Cristo amado.
Sua mensagem é um balsamo de vida e vida sem fim.
Sua Ressurreição é o incontestável exemplo que não há morte de fato... apenas a Imortalidade!
Não por acaso o Espiritismo vem nos recordar sua Boa Nova, a fim que possamos renovar nossa coragem e esperanças em meio aos desafios terrenos.
Recordemos, também, o exemplo abnegado de Chico Xavier, que desde a infância trouxe aos em torno de si, o exemplo imbatível da Vida.
Quando Dona Maria João do Deus desencarnou, em 29 de setembro do 1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona Rita do Cássia, velha amiga e madrinha da criança. 
Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se destemperava, irritadiça. 
Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de vara de marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre, porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo do torturar. 
garoto chorava muito, permanecendo, horas e horas, com os garfos dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de desabafar-se, porque a madrinha repetia, nervosa: 

Este menino tem a diabo no corpo. 

Um dia, lembrou-se a criança de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar. 
Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais. 
Quando terminou, oh! maravilha! 
Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado. 
Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da morte. 
Abraçou-a, feliz; e gritou: 

- Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora... 

- Não posso, - disse a entidade, triste. 

- Estou apanhando muito, mamãe! 

Dona Maria acariciou-o e explicou: 

- Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar. 

- Mas, - tornou a criança - minha madrinha diz que eu estou com o diabo no corpo... 

- Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre juntos. 

Em seguida, desapareceu. 
O pequeno, aflito, chamou-a em vão. 
Desde desse dia, no entanto, passou a receber o contacto de varas e garfos sem revolta e sem lágrimas. 

- Chico é tão cínico - dizia Dona Rita, exasperada, que não chora, nem mesmo a pescoção. 

Porque a criança explicasse ter a alegria de ver sua mãe, sempre que recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era um "menino aluado". 
E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correr-lhe em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e brilhantes, para o quintal!, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as velha árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração. 
Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que conhecemos. 
E da mesma forma, nos fica a mensagem imortal da Esperança que nos fortifica e revela que a Vida jamais nos deixa só!

      Almas das Andorinhas - Vansan


sábado, 21 de maio de 2016

PALAVRAS DO QUERIDO CHICO XAVIER


Um dos maiores exemplos humanos que já tivemos em nossa pátria, foi o do querido Francisco Cândido Xavier. Respeitado não somente pelos adeptos do Espiritismo, Chico é tido com muito carinho por todos que lhe conheceram o exemplo de dignidade e amor ao próximo. Saudosos de sua ternura impar, trazemos hoje trecho de entrevista realizada pelo repórter Realindo Jr., quando da visita do médium a Franca (SP), publicada pelo jornal “Comércio da Franca” a 22 de maio de 1971. Que nos sirva de inspiração fraterna a todos!

 Insatisfação do mundo atual


P — O que os Espíritos têm dito a respeito da insatisfação do mundo de hoje?
R — Os nossos guias espirituais traduzem a nossa insatisfação, no mundo inteiro, como sendo a ausência de Jesus Cristo em nossos Corações.
Quando nos adaptarmos em definitivo ao espírito da doutrina para a vivência cristã, em nossas relações mútuas, toda insatisfação desaparecerá, porque estabelecida a paz em nossa consciência com o nosso dever cumprido, as próprias doenças naturalmente recuarão, pois muitas delas são simples consequências de nossos desajustes espirituais, em decorrência de nosso afastamento de Cristo, como luz divina para os nossos corações.
Estamos nos referindo não só ao Espiritismo Evangélico, mas a todo o Cristianismo, a todas as escolas cristãs.
Os cristãos têm necessidade nessa união em torno da verdade. Nós precisamos do Cristo.



 Os tempos estão chegados


P — Os espíritas dizem sobre a transição de nosso planeta: “Os tempos estão chegados”. O que diria Chico Xavier a esse respeito?
R — Sim, chegados para um maior conhecimento da verdade, com o patrocínio da Ciência.
Cada um de nós, no entanto tem sofrido impactos muito grandes dessas mesmas verdades, por falta de Cristo em nosso coração, e nós não estamos sabendo aliar o coração ao cérebro.
Temos uma inteligência talvez excessivamente cientifista, mas o coração um tanto quanto retardado. Precisamos desalojar o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia de nós mesmos, para que possamos chegar à uma solução em matéria de paz, de modo a sentirmos que “os tempos estão chegados”, para a felicidade humana.



 A juventude de hoje


P — Como o Sr. vê a juventude atual?
R — Eu creio na juventude como sendo a esperança não só do Brasil como do mundo inteiro.
A acusação que pesa sobre a chamada juventude transviada, eu quero crer que não procede, porque o número de jovens que se dedicam ao trabalho, ao estudo, à dignidade humana e à sua própria respeitabilidade no cumprimento de seus deveres, é ilimitado, e não podemos sacrificar essa maioria extraordinariamente maravilhosa, principalmente a juventude brasileira que conhecemos muito bem, à essa minoria, que em todos os tempos foi a minoria dos espíritos rebeldes, no campo da humanidade.



 Obsessões


P — O que diria sobre o grande número de obsessões?
R — Consideramos ainda o caso da insatisfação.
Nós perdemos o contato com Cristo, que é a Luz Divina para a nossa consciência e, de imediato, criamos tomadas para o domínio das sombras.
Aí, a obsessão pode surgir. Surgir com os traumas psicológicos, com as doenças mentais que estão devidamente catalogadas pela medicina para tratamento adequado.
Mas, creio que se nós nos ajustarmos aos princípios evangélicos respeitando-nos mutuamente, cada qual no seu setor, com o cumprimento dos nossos deveres, a obsessão também diminuirá, caminhando para o desaparecimento completo.

Zé Arigó


P — Como vê as críticas em torno do nome de Zé Arigó?
R — Considero José Arigó como qualquer médium na Terra, como um ser humano, suscetível de cair em erros, mas sempre considerei Arigó como uma pessoa de muito respeito.
Se somarmos os bens que ele nos deixou e fizermos o confronto com os possíveis erros que tenha praticado, teremos um saldo que não podemos olvidar. O caso é de sensacionalismo de imprensa.
Precisaríamos de devassar uma consciência que é de Zé Arigó, que só pertence a Deus. Então seria interessante ouvir o novo irmão José Arigó, quando neste mundo, mas não sacar contra o amigo morto os ataques que estão sendo levados a efeito.

Mediunidade consciente


P — O Sr. tem conhecimento das mensagens recebidas no exato momento, em que a recebe, ou somente depois que as lê?
R — Normalmente, eu não tenho conhecimento do assunto. Leio a mensagem quanto qualquer leitor.
Agora, sobre a produção da mensagem, existem horários estabelecidos pelos amigos espirituais.
A determinadas horas, temos sessões públicas, a determinadas horas temos encontros espirituais particulares para a formação de livros. Fico então sabendo que vamos ter esses encontros. Mas o teor da mensagem eu só conheço depois de recebida.

Prova da reencarnação


P — Qual a maior prova concreta que Francisco Cândido Xavier aponta sobre a reencarnação?
R — A lógica para compreendermos a desigualdade no campo das criaturas humanas.
Por que é que uns renascem sofrendo em condições muito mais difíceis do que os outros? Não podemos admitir a injustiça divina! Deus é a justiça suprema. Portanto, nós devemos a nós mesmos a consequência dos nossos desajustes.
Se eu pratiquei um crime, se lesei alguém, é natural que não tendo pago a minha dívida moral, durante o espaço curto de uma existência, é justo que eu faça esse resgate em outra existência, porque de outro modo, compreenderíamos Deus como um ditador, distribuindo medalhas para uns e chagas para outros, o que é inadmissível.