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terça-feira, 16 de agosto de 2016

DECÁLOGO DA PALAVRA


Não grite. Converse.
  A voz muito alta é semelhante a uma agressão sonora.

Não discuta.
  O diálogo é a melhor forma de entendimento.

Não conte vantagens.
  Muitos de nossos interlocutores possuem méritos que ainda estamos longe de adquirir.

Não ridicularize a ninguém.
  Todos somos passíveis de errar.

Não critique.
  Nenhum de nós está isento de observações corretivas, em nosso próprio favor.

Fale auxiliando.
  Uma frase de compreensão e de simpatia ampara sempre.

Não censure a quem quer que seja.
  Quando não seja exatamente por nós, precisamos de apoio verbal construtivo, em benefício de muitos dos nossos entes amados.

Não use palavras inadequadas ou ofensivas a essa ou àquela pessoa.
  Todos precisamos do respeito de uns para com os outros, a fim de vivermos em paz.

Não escolha o pessimismo para liderar a sua conversação.
  Não existe ninguém que não necessite de esperança e otimismo, na execução do próprio dever.

Nunca se arrependerá você de haver falado bem.
  É pela palavra edificante que mais depressa nos deslocamos para diante, buscando as conquistas da Vida Imperecível.

Espirito Hilário Silva
Médium Francisco C. Xavier

(Livro "Fé" — Autores diversos — F. C. Xavier / Carlos A. Baccelli)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

HISTORIA DE UM CÃO


Falávamos de amor, de heroísmo e ternura,
Nos caminhos da Terra, em lutas naturais,
Quando um amigo lembrou: “não se deve esquecer
O amor dos animais”.

E contou comovido:
— Quando na Terra, um pobre cão rafeiro
Que eu nunca soube de onde vinha,
Fez-se meu companheiro
Na tapera isolada que eu mantinha.
Era um cão vagabundo, um desses cães,
Cujo medo de banho desconsola,
Vendo-lhe a boca enorme e as bochechas caídas,
As crianças chamavam-no Beiçola.
Bernento e preguiçoso, muitas vezes,
Procurei desterrá-lo,
Mas Beiçola voltava e me seguia
Estivesse eu a pé ou trotando a cavalo.
Já não sabia o que fazer do cão,
Que já me habituara a suportar
Num misto de amizade e de aversão.
Certa manhã de sábado, eu devia,
Ir do campo à cidade,
A fim de resgatar antiga conta
Cujo prazo vencia.
Montei no meu pequira muito cedo
De merenda robusta na sacola,
E pus-me alegremente no caminho
Acompanhado por Beiçola.
Desmontei-me às dez horas para o almoço,
Transportando a merenda para baixo,
Ao pé de velha ponte que cobria
Um pequeno riacho…
Alimentei-me à farta e dei ao cão
Tudo o que me sobrou da refeição…
Tomei de novo a montaria
Açoitei o animal para seguir depressa,
O débito a pagar era daquele dia,
Mas uma cena estranha então começa.
Beiçola, de ordinário, pachorrento,
Intentava correr, de lado a lado,
Em uivos e latidos…
Depois correu à frente,
Como a querer parar o pequira assustado.
O cão dependurava-se nos freios,
Enquanto eu lhe gritava nomes feios;
Espanquei-o a chicote, mas em vão…
E cansado de vê-lo a pular, doidamente,
Conclui, de repente,
Que a doença da raiva atacara meu cão…
Agi sem medo, rápido e seguro,
Dei-lhe um tiro com o fim de eliminá-lo,
De modo a defender-me e a livrar meu cavalo.
Beiçola então soltou doloroso gemido,
Caminhou para trás, claramente ferido,
Enquanto fui em frente…
Mas atingindo o banco e buscando o gerente,
A fim de resgatar a minha conta inteira,
Debalde procurei minha carteira…
No assombro que me toma,
Notei que me faltava grande soma…
Decerto que perdera o dinheiro em caminho
Pois saíra com ele da fazenda…
Deliberei voltar ao local da merenda,
Pedi ao chefe amigo aguardar mais um pouco
E aflito, semi-louco,
Remontei o cavalo e voltei de corrida…
Regressando ao lugar em que estivera…
E o amigo rematou, emocionado:
— Só então compreendi quão ingrato que eu era…
Sabem o que encontrei?
Após seguir pequeno espaço
Todo ele marcado em sangue, traço a traço,
Achei Beiçola já sem vida…
E ao arrastá-lo para um canto,
Vi, sob o corpo dele, a estremecer de espanto,
A carteira perdida…
Ah! como me doeu o coração
De susto e de emoção!…
Não sei dizer tudo o que sinto,
Por muito que lhes conte,
Meu pobre cão rafeiro,
Cuja lembrança está sempre comigo,
Arrastou-se ferido e, após ganhar a ponte,
Morreu fiel e amigo,
Guardando o meu dinheiro.

Espirito Maria Dolores
Médium Francisco C. Xavier
Livro "Coração e Vida"

domingo, 3 de julho de 2016

NÃO PERDOAR



Bezerra de Menezes, já devotado à Doutrina Espírita, almoçava, certa feita, em casa de Quintino Bocaiuva, o grande republicano, e o assunto era o Espiritismo, pelo qual o distinto jornalista passara a interessar-se.
 Em meio da conversa, aproxima-se um serviçal e comunica ao dono da casa:
— Doutor, o rapaz do acidente está aí com um policial.
 Quintino, que fora surpreendido no gabinete de trabalho com um tiro de raspão, que, por pouco, não lhe atingiu a cabeça, estava indignado com o servidor que inadvertidamente fizera o disparo.
— Manda-o entrar — ordenou o político.
— Doutor — roga o moço preso, em lágrimas —, perdoe o meu erro! Sou pai de dois filhos… Compadeça-se! Não tinha qualquer má intenção… Se o senhor me processar, que será de mim? Sua desculpa me livrará! Prometo não mais brincar com armas de fogo! Mudarei de bairro, não incomodarei o senhor…
 O notável político, cioso da própria tranquilidade, respondeu:
— De modo algum. Mesmo que o seu ato tenha sido de mera imprudência, não ficará sem punição. Percebendo que Bezerra se sentia mal, vendo-o assim encolerizado, considerou, à guisa de resposta indireta:
— Bezerra, eu não perdoo, definitivamente não perdoo…
 Chamado nominalmente à questão, o amigo exclamou desapontado:
— Ah! você não perdoa!
 Sentindo-se intimamente desaprovado, Quintino falou, irritado:
— Não perdoo erro. E você acha que estou fora do meu direito?
 O Dr. Bezerra cruzou os braços com humildade e respondeu:
— Meu amigo, você tem plenamente o direito de não perdoar, contanto que você não erre…
 A observação penetrou Quintino como um raio.
O grande político tomou um lenço, enxugou o suor que lhe caía em bagas, tornou à cor natural, e, após refletir alguns momentos, disse ao policial:
— Solte o homem. O caso está liquidado.
 E para o moço que mostrava profundo agradecimento:
— Volte ao serviço hoje mesmo, e ajude na copa.
 Em seguida, lançou inteligente olhar para Bezerra, e continuou a conversação no ponto em que haviam ficado.

Espirito Hilario Silva
Médium Francisco C. Xavier
Livro "Almas em Desfile"

sábado, 25 de junho de 2016

NÃO CONSTA...


Francisco, o pobrezinho de Assis, estava doente e febril.
O frio da Úmbria afetara-lhe os pulmões, naqueles dias de intensa nevasca.
Tremendo sob trapos, à guisa de cobertores, o inesquecível poverello era, sem dúvida, o retrato do abatimento pelas muitas privações a que se vinha submetendo na reconstrução espiritual da igreja.
- Pai Francisco - dizia-lhe Frei Leão, o amigo que velava por ele à cabeceira de improvisado leito -, não se exponha tanto assim... O senhor ultimamente não vem desfrutando de boa saúde...
Está tremulo, de passos vacilantes... o que será da nossa Ordem sem a sua presença?!... Peço-lhe que seja mais comedido... Cuide-se, alimente-se melhor... A sua infecção nos olhos não quer ceder... Agora, essa febre que não passa....
Com a humildade que o caracterizava, Francisco respondia:
- Não se preocupe, Cordeirinho.. Eu estou bem... Logo retomaremos as nossas andanças... Ainda temos muito que fazer... Tranquilize os nosso irmãos... Não estou me sentindo tão exaurido assim... O Senhor conta conosco e não podemos decepcioná-lo...
- Mas - argumentava Frei Leão, preocupado com o companheiro que definhava a olhos vistos - o senhor já tem feito bastante... Graças ao seu esforço, o nosso rebanho está aumentando... Não seria aconselhável, pelo menos por enquanto, diminuir o seu ritmo de trabalho?...
Erguendo a destra e alisando os cabelos de Frei Leão, Francisco respondeu com um sorriso que lhe aflorou aos lábios descorados:
- O problema, Cordeirinho, é que, quando se trata do Amor com que nos devemos amar uns aos outros, a palavra basta não consta do dicionario de Deus!...

Espirito Ramiro Gama
Médium Carlos A. Baccelli
Livro "Vida de Médium"

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PERANTE O SEXO



Nunca escarneça do sexo, porque o sexo é manancial de criação divina, que não pode se responsabilizar pelos abusos daqueles que o deslustram.
Psicologicamente, cada pessoa conserva, em matéria de sexo, problemática diferente.
 Em qualquer área do sexo, reflita antes de se comprometer, de vez que a palavra empenhada gera vínculos no espírito.
Não tente padronizar as necessidades afetivas dos outros por suas necessidades afetivas, porquanto embora o amor seja luz uniforme e sublime em todos, o entendimento e posição do amor se graduam de mil modos na senda evolutiva.
Use a consciência, sempre que se decidir ao emprego de suas faculdades genésicas, imunizando-se contra os males da culpa.
Em toda comunicação afetiva, recorde a regra áurea: “não faça a outrem o que não deseja que outrem lhe faça”. 
O trabalho digno que lhe assegure a própria subsistência é sólida garantia contra a prostituição.
Não arme ciladas para ninguém, notadamente nos caminhos do afeto, porque você se precipitará dentro delas.
Não queira a sua felicidade ao preço do alheio infortúnio, porque todo desequilíbrio da afeição desvairada será corrigido, à custa da afeição torturada, através da reencarnação.
Se alguém errou na experiência sexual, consulte o próprio íntimo e verifique se você não teria incorrido no mesmo erro se tivesse oportunidade.
Não julgue os supostos desajustamentos ou as falhas reconhecidas do sexo e sim respeite as manifestações sexuais do próximo, tanto quanto você pede respeito para aquelas que lhe caracterizam a existência, considerando que a comunhão sexual é sempre assunto íntimo entre duas pessoas, e, vendo duas pessoas unidas, você nunca pode afirmar com certeza o que fazem; e, se a denúncia quanto à vida sexual de alguém é formulada por parceiro ou parceira desse alguém, é possível que o denunciante seja mais culpado quanto aos erros havidos, de vez que, para saber tanto acerca da pessoa apontada ao escárnio público, terá compartilhado das mesmas experiências.
Em todos os desafios e problemas do sexo, cultive a misericórdia para com os outros, recordando que, nos domínios do apoio pela compreensão, se hoje é o seu dia de dar, é possível que amanhã seja o seu dia de receber.

Espirito André Luiz
Médium Francisco C. Xavier
Livro "Sinal Verde"

                         "Forças do Ser" pelo Grupo BEM


quarta-feira, 22 de junho de 2016

LINDOS CASOS DE CHICO XAVIER - HISTORIA DE UM SONETO


Por Ramiro Gama

Em 1931 desencarnara um amigo do Chico, em Pedro Leopoldo.
Cavalheiro digno, católico muito distinto e pai de família exemplar.
O Médium acompanha o enterro.
Na cidade, da igreja ao cemitério, é longo o percurso.
Um padre presente abeira-se do rapaz e pergunta:
— Então, Chico, dizem que você anda recebendo mensagens do outro mundo…
— É verdade, reverendo. Sinto que alguém me ocupa o braço e se serve de mim para escrever…
— Tome cuidado. Lembre-se de que o Espírito das Trevas tem grande poder para o mal.
— Entretanto, padre, os espíritos que se comunicam somente nos ensinam o bem.
O sacerdote retirou um papel em branco da intimidade de um livro que sobraçava e convidou:
— Bem, Chico, estamos no cemitério, acompanhando um amigo morto… Tente alguma coisa.
Vejamos se há aqui algum espírito desejando escrever.
Chico recebe o papel e concentra-se.
Em poucos instantes, sente o braço tomado pela força espiritual e psicografa a poesia aqui transcrita:


ADEUS
O sino plange em terna suavidade,
No ambiente balsâmico da igreja,
Entre as naves, no altar, em tudo adeja
O perfume dos goivos da saudade.
Geme a viuvez, lamenta-se a orfandade;
E a alma que regressou do exílio beija
A luz que resplandece, que viceja,
Na catedral azul da imensidade…
Adeus, Terra das minhas desventuras…
Adeus, amados meus… – diz nas alturas…
A alma liberta, o azul do céu singrando…
Adeus… – choram as rosas desfolhadas,
Adeus… – clamam as vozes desoladas
De quem ficou no exílio soluçando…
Auta de Souza, poetisa
Este soneto foi incorporado ao livro “Parnaso de Além-Túmulo”.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O MÉDICO E O FISCAL



— Se possível, acelere um pouco a marcha.
Era o abnegado médico espírita, Dr. Militão Pacheco, que rogava ao amigo que o conduzia por gentileza.
E acrescentava:
— O caso é crupe.
O companheiro ao volante aumentou a velocidade, mas, daí a momentos, um fiscal apitou.
O carro atendeu com dificuldade e, talvez por isso, a motocicleta do guarda sofreu pequeno choque sem conseqüências.
O policial, porém, não estava num dia feliz e o Dr. Pacheco com o amigo receberam uma saraivada de palavrões.
Notando que não reagiam, o funcionário fez-se mais duro e declarou que não se conformava apenas com a multa.
Os infratores estavam detidos.
O Dr. Pacheco deu-lhe razão e informou que realmente seguiam com pressa para socorrer um menino sem recursos, rogando, humilde, para que a entrevista com a autoridade superior fosse adiada.
— Se o senhor é médico — disse o interlocutor, com ironia —, deve proceder disciplinadamente, sem sair do regulamento. Para ser franco, se eu pudesse, meteria os dois, agora, no xadrez.
Embora o amigo estivesse rubro de indignação, o Dr. Pacheco, benevolente, fez uma proposta.
O guarda deixaria, por alguns instantes, o veículo, e seguiria com eles no carro, mantendo vigilância. Depois do socorro ao doentinho, segui-lo-iam para onde quisesse.
Havia tanta humildade na súplica, que o fiscal concordou, conquanto repetisse asperamente os insultos.
— Aceito — exclamou —, e verificarei por mim mesmo. Ando saturado de vigaristas. E creio que, se
estão agindo com mentira, hoje dormirão no Distrito.
A motocicleta foi confiada a um colega de serviço e o homem entrou, seguindo em silêncio.
Rua aqui, esquina acolá, dentro em pouco o carro atingiu modesta residência na Lapa, em S. Paulo. Os três entram por grande portão e caminham até encontrar esburacado casebre nos fundos.
Mas, ao ver o menino torturado de aflição nos braços de infeliz mulher, o bravo fiscal, com grande assombro dos circunstantes, ficou pálido e com os olhos rasos de água.
O petiz agonizante e a jovem senhora sem recursos eram seu próprio filhinho e a sua própria esposa que ele havia abandonado dois anos antes...

Espirito Hilário Silva
Médium Francisco Cândido Xavier
Livro "Almas em Desfile"

sexta-feira, 17 de junho de 2016

FENÔMENO MAGNETICO

Reunião pública de 28 de Agosto de 1959
Questão n.° 427 de “O Livro dos Espíritos”

 Quem admite hoje o fenômeno magnético, por novidade, se esquece naturalmente de que, no Egito dos Ramsés, velho papiro trazido aos nossos dias já preceituava quanto ao magnetismo curativo: — “Pousa a tua mão sobre o doente e acalma a dor, afirmando que a dor desaparece.”
 Séculos transcorreram, até que ele adquirisse extensa popularidade com as demonstrações de Mesmer e atravessasse, tímido, o pórtico da experimentação científica com personalidades marcantes, quais James Braid e Durand de Gross, Charcot e Liébeault.
 E, nos tempos últimos, ei-lo em foco, desde os mais avançados gabinetes das ciências psicológicas até os espetáculos públicos nos quais a hipnose é conduzida, indiscriminadamente, para fins diversos.

 Entretanto, importa considerar que é justamente em Nosso Senhor Jesus-Cristo que ele atinge o seu ponto mais alto na Humanidade.
 Todavia, não se vale dele o Senhor para alardear os poderes que lhe exornam o Espírito.
 Não lhe mobiliza os recursos para impressionar sem proveito.
 Não lhe requisita os valores para discussões estéreis.
 Não lhe concentra as possibilidades para a defesa de si próprio.
 Jesus é o amor divino alongando os braços à angústia humana.
 Estende a mão e cegos veem, e paralíticos se levantam, e feridentos se alimpam e obsidiados se recuperam.
 Fita Madalena em casa de Simão e dá-lhe forças para que se liberte das entidades sombrias que a subjugam; contempla Zaqueu no sicômoro e modifica-lhe as noções da riqueza material; fixa Judas no cenáculo e o companheiro infeliz foge apressado, incapaz de suportar-lhe a presença, e endereça a Pedro um simples olhar das grades da prisão e o amigo que o negara pranteia amargamente.
 Ainda assim, não se detém nos casos particulares.
 Junto ao povo, tempera cada manifestação com autoridade e doçura, humildade e comando, respeito e compreensão.
 De ninguém indaga a prática religiosa, para fazer o bem.
 No ensinamento, utiliza parábolas para não ferir fosse a quem fosse.
 A todos oferece o apaziguamento da alma, antes da cura física.
 Não procura os poderosos da Terra para qualquer entendimento, e, sim, busca de preferência os que passam curvados sob o jugo das aflições.
 Não se faz precedido de arautos e batedores.
 Não demanda lugares especiais para a exibição dos fenômenos que lhe vertem das faculdades sublimes.
 E, para imprimir o magnetismo divino da Boa-Nova na mente popular, traça no monte as bem-aventuranças da vida eterna, proclamando veemente: 
“Felizes os humildes de espírito, porque a eles toca o reino dos Céus.
“Felizes os que choram, porque serão consolados.
“Felizes os afáveis, porque possuirão a Terra.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
“Felizes os misericordiosos, porque obterão misericórdia.
“Felizes os que trazem consigo o coração puro, porque sentirão a presença de Deus.
“Felizes os pacíficos e os pacificadores, porque serão chamados filhos do Altíssimo.
“Felizes os que forem perseguidos sem causa, porque o reino dos Céus lhes pertence.”

 Se te afeiçoas, assim, ao fenômeno magnético, seja qual for o filão de tuas atividades, poderás estudá-lo e incrementá-lo, estendê-lo e defini-lo, mas, para que dele faças motivo de santidade e honra, somente em Jesus-Cristo encontrarás o luminoso e indiscutível padrão.

Espírito Emmanuel
Médium Francisco C. Xavier
Livro "Religião dos Espíritos"

terça-feira, 14 de junho de 2016

A EXEMPLO DE JESUS



Em um dos departamentos da Vida Espiritual, o orientador escutava a reclamação do recém-chegado da Terra, que tentava explicar-se:

- Fui muito criticado... as pessoas sempre apontavam defeitos em mim... Observações contundentes palmilharam o meu caminho... Quase tudo que eu fizesse, era motivo de chacotas...

- Meu irmão - ponderava o atendente com paciência, enquanto procedia o preenchimento de um formulário -, a critica quase sempre é um alerta para que estejamos vigilantes... Por detrás da intenção dos que nos criticam, muitas vezes com propósitos escusos, vige a intenção de Deus em nos corrigir... As palavras dos que se referem de maneira intempestiva às nossas atitudes não podem ser assim tão desprezadas por nós...

- Mas a questão - contra-argumentava o amigo, indignado - não é tão simples... Não estou tão-somente me queixando das criticas que me eram feitas; estou aborrecido, pois, a rigor, aqueles que me criticavam não tinham condição alguma para tanto... Tão frágeis quanto eu mesmo, sabia de suas limitações e mazelas... O que criticavam em mim, eu poderia ter criticado neles com mais razão... Ainda se tivesse sido criticado por pessoas de conduta irrepreensível!... Mas não: eram pessoas piores do que eu as que me agrediam...

Dando o assunto por encerrado, o preparado recepcionista dos recém-desencarnados, sentenciou:

- Meu irmão, os que teriam, no mundo, digamos, condições morais para atirar a primeira pedra são justamente aqueles que, a exemplo de Jesus, nunca se sentiriam animados a fazê-lo!...

Espírito Ramiro Gama
Médium Carlos A. Baccelli
Livro "Vida de Médium"

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O DRAMA DO SUICÍDIO


"A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio." (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 5 - Bem-Aventurados os Aflitos, Item 14) 



A palavra suicídio (etimologicamente sui = si mesmo; -caedes = ação de matar) foi utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737 e significa morte intencional auto-infligida, isto é, quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso, decide tirar sua própria vida.
De acordo com dados atuais da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 3.000 pessoas por dia cometem suicídio no mundo, o que significa que a cada 30 segundos uma pessoa se mata. Estima-se que para cada pessoa que consegue se suicidar, 20 ou mais tentam sem sucesso e que a maioria dos mais de 1,1 milhão de suicídios a cada ano poderia ser prevista e evitada. Médicos alertam que é um problema de saúde que não recebe tanta atenção por causa do tabu social.

É inegável que os conflitos de ordem social, psicológica, mental, espiritual, regurgitam em todos os cantos do mundo, revelando a imensa aflição intima que a humanidade atravessa. "Nem só de pão vive o homem...", dizia o Cristo, plenamente consciente que sem o alimento do afeto, da bondade, da alegria, da esperança, o ser definha e esmorece, não encontrando sentido para as lutas acerbas do cotidiano.

Dentro desse embate constante, muitos corações optam pela tentativa de aniquilar sua existência. Tentativa que revela o dissabor perante a vida, mas também a ignorância com relação a imortalidade do ser. Somos Espíritos, esclarece a doutrina Espírita. A consciência que intelectualiza a matéria, como definem os Espíritos a Allan Kardec (Questão 25 de O Livro dos Espíritos), não se extingue. Pré-existe e sobrevive a decomposição do corpo físico

Portanto o suicídio é destinado ao fracasso, mas também a um acumulo maior de dores e aflições, visto que o ser se depara com a continuidade da vida, alem do corpo material, carregando as mesmas angustias que o atormentavam, ampliadas pelo trauma criado contra si mesmo. Isso são os próprios indivíduos que vivenciaram a experiencia do suicídio quem nos vem relatar, pelos inúmeros testemunhos chegados pelos fenômenos mediúnicos.


Temos o exemplo do grande escritor português Camilo Castelo Branco (1825-1890), trazido pela mediunidade de Yvone Pereira do Amaral, que afirma: "Quem se atira no suicídio espera livrar-se dos sofrimentos considerados insuportáveis...Também eu pensei assim. Enganei-me, porém – e sofrimentos milhões de vezes maiores me esperavam dentro do túmulo onde me escondi, pensando escapar às dores do
corpo físico" (Livro "Memorias de um Suicida"). E prossegue em seu relato: "Devo esclarecer que o motivo que me levou ao suicídio foi a revolta da haver ficado cego. Pensei que o sofrimento da cegueira fosse grande demais. Como eu estava enganado! E, ao acordar na morte, continuava cego! Além de cego, agora estava ferido. Mas eu pensava estar apenas machucado – e não morto! Sim, a vida continuava em mim, como antes do suicídio!"

Também pela mediunidade de Fernando de Lacerda, grande trabalhador espirita português, Camilo deu provas da continuidade da Vida e das tristes consequências do suicídio. A noite de 28 de outubro de 1906, o Espírito Camilo Castelo Branco lhe ditou comunicação publicada, depois, no primeiro volume de Do País da Luz. Na introdução desse primeiro volume, Fernando de Lacerda conta que há muitos anos escrevia sobre coisas que desconhecia, alheias à sua vontade e até ao seu modo de ver e ser.
Naquela noite, ao deitar-se, o médium pareceu ouvir algo assim como um recado que devesse dar ao escritor português Silva Pinto, grande amigo de Camilo. Por mais que tentasse fixar a atenção no que lhe diziam, Fernando não conseguia captar a mensagem de forma compreensível. A voz, porém, insistia: “Tem paciência. Levanta-te e vai escrever”.
Dirigiu-se o médium ao seu escritório, julgando que lhe seria ditado o recado, apenas. Mas, na realidade, acabou psicografando uma longa carta assinada pelo autor suicida Camilo Castelo Branco, dirigida ao escritor e polemista Silva Pinto, que, por essa época, alimentava a ideia de suicidar-se. Tratava-se de veemente e comovedor apelo ao velho amigo, a quem muito influenciara com suas ideias negativas e céticas sobre a vida, para que reformulasse o seu julgamento.

Eis trecho da carta: 
"Silva Pinto: Minha vida após a morte (que estranha heresia parece isto!) tem sido a coroação dos sofrimentos e dos martírios que nesse mundo de lama e pus eu vivi!
Tu tens levado todo teu tempo a protestar e maldizer.
Meu amigo, meu irmão, deves levar teu pensamento ao Alto e, quando fizeres verás que tudo o que te tortura é tão insignificante, que não merece teus aborrecimentos. Eleva-te acima do charco e ficarás surpreso contigo próprio, por indignar-te com coisinhas tão sem valor.
Pensa! Reflete! Experimenta! Coloca uma planta num vaso limpo, com terra perfumada - e esta planta nem chegará a lançar raízes. E coloca planta idêntica em vaso com excremento imundo, terra apodrecida - e ela vegetará. elevará seus ramos até o céu!
Que grande lição nos dão as flores! Se a matéria do adubo é a podridão, como queres impedir que Deus use processo semelhante para avaliar o mérito da mais perfeita de todas as criaturas que fabricou?
O meu mal foi não ter visto a vida por esse prisma! Quando a vi assim, era tarde; e então sofri pelo mal que fiz; e então encontrei o horror que nem em teus piores pesadelos poderás ver igual..."

Silva Pinto ficou de tal forma impactado pela mensagem do velho amigo, que passou a refletir e modificou a forma de ver os espinhos do caminho, que lhe afligiam. Deixou as ideias materialistas que o consumiam e tornou-se Cristão. Declarou abertamente, após conscientizar-se da realidade maior da Vida: "Pensava que na minha qualidade de vitima, tinha o direito de vir embora quando me desse vontade.
Mas enganei-me. E quando ia me lançar à podridão das carnes por conta própria, surge da região do Pavor, o meu Camilo! Surgiu ele a gritar-me que parasse!
E parei.
Isto de saber parar não é para todos - mas eu soube parar. Estaquei atônito. refleti e disse: - Alto, seu Silva Pinto! O que vai fazer? Diabo! E se for verdade que o Camilo vive? E se eu, que fui joguete da sorte, ainda tiver de apanhar do lado de lá?
Pode não ser verdade o que está escrito nestas paginas, com o nome de Camilo, mas... E se for?"

Fica a todos que passam os olhos e os corações nestas linhas a mesma indagação!
Não será justo tentarmos enxergar as lutas da senda humana por outro angulo? Não nos será mais digno erguermos a fronte, reconhecermo-nos como filhos de Deus e com potencial de vencermos os desafios do momento? Buscando a calma, a resignação com toques de luz, tentarmos mais uma vez sobrepujar a prova? Somos mais do que nossos olhos podem ver!!
Tenhamos fé... fé plenificada pela razão.
Aquela que nos permita enxergar o sentido das dores que, por hora, nos afetam, mas que passarão.... fatalmente se acabarão. Mas nós, obras imortais do Senhor, não seremos excluídos da Vida jamais!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

PODIA SER PIOR

O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.

Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.

Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espirita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces...

Inquirido por Filgueiras, começou a explicar-se :

– Imagine você que minha infelicidade começou quando o meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre...

– Mas podia ser pior! – falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.

– Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me...

– Podia ser pior... – atalhou Filgueiras.

– O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recurso, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis...

– Podia ser pior...

– Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me

com amargas palavras...

– Podia ser pior...

– Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.

– Mas podia ser pior... – acentuou Filgueiras, calmo.

O outro sorriu, mal-humorado, e objetou :

– Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão... Que podia ser pior, Filgueiras?

O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente :

– Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho em que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa...

O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.

Espírito Hilário Silva
Médium Francisco Candido Xavier
Livro Almas em desfile