sexta-feira, 17 de junho de 2016

FENÔMENO MAGNETICO

Reunião pública de 28 de Agosto de 1959
Questão n.° 427 de “O Livro dos Espíritos”

 Quem admite hoje o fenômeno magnético, por novidade, se esquece naturalmente de que, no Egito dos Ramsés, velho papiro trazido aos nossos dias já preceituava quanto ao magnetismo curativo: — “Pousa a tua mão sobre o doente e acalma a dor, afirmando que a dor desaparece.”
 Séculos transcorreram, até que ele adquirisse extensa popularidade com as demonstrações de Mesmer e atravessasse, tímido, o pórtico da experimentação científica com personalidades marcantes, quais James Braid e Durand de Gross, Charcot e Liébeault.
 E, nos tempos últimos, ei-lo em foco, desde os mais avançados gabinetes das ciências psicológicas até os espetáculos públicos nos quais a hipnose é conduzida, indiscriminadamente, para fins diversos.

 Entretanto, importa considerar que é justamente em Nosso Senhor Jesus-Cristo que ele atinge o seu ponto mais alto na Humanidade.
 Todavia, não se vale dele o Senhor para alardear os poderes que lhe exornam o Espírito.
 Não lhe mobiliza os recursos para impressionar sem proveito.
 Não lhe requisita os valores para discussões estéreis.
 Não lhe concentra as possibilidades para a defesa de si próprio.
 Jesus é o amor divino alongando os braços à angústia humana.
 Estende a mão e cegos veem, e paralíticos se levantam, e feridentos se alimpam e obsidiados se recuperam.
 Fita Madalena em casa de Simão e dá-lhe forças para que se liberte das entidades sombrias que a subjugam; contempla Zaqueu no sicômoro e modifica-lhe as noções da riqueza material; fixa Judas no cenáculo e o companheiro infeliz foge apressado, incapaz de suportar-lhe a presença, e endereça a Pedro um simples olhar das grades da prisão e o amigo que o negara pranteia amargamente.
 Ainda assim, não se detém nos casos particulares.
 Junto ao povo, tempera cada manifestação com autoridade e doçura, humildade e comando, respeito e compreensão.
 De ninguém indaga a prática religiosa, para fazer o bem.
 No ensinamento, utiliza parábolas para não ferir fosse a quem fosse.
 A todos oferece o apaziguamento da alma, antes da cura física.
 Não procura os poderosos da Terra para qualquer entendimento, e, sim, busca de preferência os que passam curvados sob o jugo das aflições.
 Não se faz precedido de arautos e batedores.
 Não demanda lugares especiais para a exibição dos fenômenos que lhe vertem das faculdades sublimes.
 E, para imprimir o magnetismo divino da Boa-Nova na mente popular, traça no monte as bem-aventuranças da vida eterna, proclamando veemente: 
“Felizes os humildes de espírito, porque a eles toca o reino dos Céus.
“Felizes os que choram, porque serão consolados.
“Felizes os afáveis, porque possuirão a Terra.
“Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
“Felizes os misericordiosos, porque obterão misericórdia.
“Felizes os que trazem consigo o coração puro, porque sentirão a presença de Deus.
“Felizes os pacíficos e os pacificadores, porque serão chamados filhos do Altíssimo.
“Felizes os que forem perseguidos sem causa, porque o reino dos Céus lhes pertence.”

 Se te afeiçoas, assim, ao fenômeno magnético, seja qual for o filão de tuas atividades, poderás estudá-lo e incrementá-lo, estendê-lo e defini-lo, mas, para que dele faças motivo de santidade e honra, somente em Jesus-Cristo encontrarás o luminoso e indiscutível padrão.

Espírito Emmanuel
Médium Francisco C. Xavier
Livro "Religião dos Espíritos"

quinta-feira, 16 de junho de 2016

O FATOR ESPERANÇA


Cada dia que nasce é um novo recomeço, a todos nós.
Como nunca, temos de aprender a renascer perante os obstáculos do momento.
É certo que ha horas em que sentimo-nos sufocados, e por isso mesmo precisamos encontrar ar novo para os "pulmões" da alma.
Necessitamos de inspiração e relevante fé para superação.
Superação, principalmente, de nós mesmos.
Nos deparamos, diariamente, com muitos corações desenganados.
Há muita tristeza e desanimo envolvendo os sentimentos.
Há um descredito dos valores e da confiança na vitoria do bem.
Isso adoece e corrompe as melhores forças do ser.
Espalha angustia e depressão nos campos da alma.
Por isso, é hora de agirmos como agentes saneadores desses "miasmas" que tomam contam da atmosfera dos seres e das sociedades.
Devemos ser mensageiros da coragem, da paciência e da esperança, a onde a Vida nos convocar.
Mas como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos nesse momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não tem mais jeito, que não tem alternativa, que a vida é assim mesmo… (...) Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.
Quem também destaca essa energia como decisiva para a transformação dos problemas, é o querido Chico Xavier. 
Numa das famosas reuniões a sombra do abacateiro, em Uberaba, onde corações sofridos se reuniam à Luz do Evangelho, Chico falava, magnetizando em ternura e bondade.
Exaltando o valor da Doutrina Espírita ponderou que, quase todos nós, diariamente, sofremos pequenos traumatismos, e que, somados, no fim da semana representam uma carga muito grande, exigindo que “a pessoa tem que mostrar não apenas estrutura, mas também infra-estrutura”. 
Com os olhos fitos no Alto, Chico continua: “A infra-estrutura é a confiança em Deus. Devermos ter o nosso íntimo iluminado pelo Poder Supremo que nos governa. Precisamos criar o fator esperança, ter paciência; a paciência que descobre caminhos, sem alarde, para ajudar os outros e a nós mesmos...” 
Todos estavam embevecidos com a sua dissertação que, segundo sua própria expressão, reflete o pensamento do Espirito Emmanuel. 
Criar o fator esperança!... 
Sim, a esperança é uma força, um fator de vitória...
E desenvolvendo essa estrela em nosso intimo, iremos irradiar novas capacidades. Haveremos de inspirar outros corações, a fim que também descubram o poder oculto que possuem.
Não ha fatalidade no mal. Todos podemos modificar, em conjunto, o caminho de nossa sociedade.
Como dizia Gonzaguinha em uma de suas canções: "Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs... Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar! Fé na vida Fé no homem, fé no que virá! Nós podemos tudo... Nós podemos mais... Vamos lá fazer o que será!"
Conseguiremos irradiar o bem, de forma tão intensa, que toda sombra ha de desaparecer perante uma Nova Era, que se inicia na tua benevolência, carregada de Esperanças!

                            Semente do amanhã (Nunca pare de sonhar) - Gonzaguinha



A MEDIUNIDADE E A INSPIRAÇÃO


(Paris  – Grupo Desliens, 16 de fevereiro de 1869)

Sob suas formas variadas ao infinito, a mediunidade abarca a humanidade inteira, como uma rede à qual ninguém pode escapar. Cada um, estando em contato diário, saiba-o ou não, queira-o ou se revolte, com inteligências livres, não há um homem que possa dizer: Não fui, não sou ou não serei médium. Sob a forma intuitiva, modo de comunicação ao qual vulgarmente se deu o nome de voz da consciência, cada um está em relação com várias influências espirituais, que aconselham num ou noutro sentido e, muitas vezes, simultaneamente, o bem puro, absoluto; acomodações com o interesse; o mal em toda a sua nudez. – O homem evoca essas vozes; elas respondem ao seu apelo, e ele escolhe; mas escolhe entre essas diversas inspirações e o seu próprio sentimento. – Os inspiradores são amigos invisíveis; como os amigos da Terra, são sérios ou eventuais, interesseiros ou verdadeiramente guiados pela afeição.
São consultados, ou aconselham espontaneamente, mas, como os conselhos dos amigos da Terra, seus conselhos são ouvidos ou rejeitados; por vezes provocam um resultado contrário ao que se espera; muitas vezes não produzem qualquer efeito. -Que concluir daí? Não que o homem esteja sob a ação de uma mediunidade incessante, mas que obedece livremente à sua própria vontade, modificada por avisos que, no estado normal, jamais podem ser imperativos.
Quando o homem faz mais do que se ocupar dos mínimos detalhes de sua existência, e quando se trata de trabalhos que ele veio realizar mais especialmente, de provas decisivas que deve suportar, ou de obras destinadas à instrução e à elevação gerais, as vozes da consciência não se fazem mais somente e apenas conselheiras, mas atraem o Espírito para certos assuntos, provocam certos estudos e colaboram na obra, fazendo ressoar certos compartimentos cerebrais pela inspiração. Aqui é uma obra a dois, a três, a dez, a cem, se quiserdes; mas, se cem nela tomaram parte, só um pode e deve assiná-la, porque só um a fez e é o seu responsável!
Afinal de contas, o que é uma obra, seja qual for? Jamais é uma criação; é sempre uma descoberta. O homem nada faz, tudo descobre. É preciso não confundir esses dois termos. Inventar, no seu verdadeiro sentido, é tornar evidente uma lei existente, um conhecimento até então desconhecido, mas posto em germe no berço do Universo. Aquele que inventa levanta uma das pontas do véu que oculta a verdade, mas não cria a verdade. Para inventar é preciso procurar e procurar muito; é preciso compulsar os livros, rebuscar no fundo das inteligências, pedir a um a mecânica, a outro a geometria, a um terceiro o conhecimento das relações musicais, a um outro, ainda, as leis históricas e, do todo, fazer algo novo, interessante, inimaginável.
Aquele que foi explorar os recantos das bibliotecas, que ouviu falarem os mestres, que perscrutou a Ciência, a Filosofia, a Arte, a Religião, da antiguidade mais remota até os nossos dias, é o médium da Arte, da História, da Filosofia e da Religião? É o médium dos tempos passados, quando por sua vez escreve? Não, porque não conta pelos outros, mas ensinou os outros a contar e enriquece os seus relatos de tudo o que lhe é pessoal. – Por muito tempo o músico ouviu a toutinegra e o rouxinol, antes de inventar a música; Rossini escutou a Natureza antes de traduzi-la para o mundo civilizado. Ele é o médium do rouxinol e da toutinegra? Não: compõe e escreve; escutou o Espírito que lhe veio cantar as melodias do céu; ouviu o Espírito que clamou a paixão ao seu ouvido; ouviu gemerem a virgem e a mãe, deixando cair, em pérolas harmoniosas, sua prece sobre a cabeça do filho. O amor e a poesia, a liberdade, o ódio, a vingança e numerosos Espíritos que possuem esses sentimentos diversos, cada um por sua vez cantou a sua partitura ao seu lado. Ele as escutou, as estudou, no mundo e na inspiração, e de um e outro fez as suas obras. Mas não era médium, como não é médium o médico que ouve os doentes contando o que sofrem, e que dá um nome às suas doenças. – A mediunidade teve suas horas num como no outro; mas fora desses momentos muito curtos para a sua glória, o que fez, o fez apenas à custa dos estudos colhidos dos homens e dos Espíritos.
Sendo assim, é-se médium de todos; é-se médium da Natureza, médium da verdade e médium muito imperfeito, porque muitas vezes a mediunidade aparece de tal modo desfigurada pela tradução, que é irreconhecível e desconhecida.

Halévy*

*Jacques Fromental Halévy dito Levy foi um compositor francês; nasceu em Paris a 27 de maio de 1799 e faleceu de tuberculose em Nice a 17 de marco de 1862.

(Revista espírita — Ano XII — Março de 1869)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A GENIALIDADE E A REENCARNAÇÃO



Conta-se que um jovem médico procurou o notável compositor Mozart e lhe perguntou como deveria proceder para escrever uma sinfonia.
O grande músico lhe respondeu que ele era muito jovem para pensar em escrever sinfonias e lhe
sugeriu que tentasse antes escrever baladas.
Indignado com a observação, o rapaz retrucou: Como pode me dizer que sou jovem, se o senhor escreveu sinfonias com apenas dez anos!
Realmente, concluiu Mozart, eu as escrevi com aquela idade, mas não perguntei a ninguém como fazê-lo.
A resposta do alegre músico austríaco nos conduz a destacar o prodígio que são algumas crianças.
O famoso Rembrandt já era pintor antes de aprender a ler. Miquelângelo, a quem devemos a maravilha das pinturas da Capela Sistina, no Vaticano, foi considerado um artista completo, aos oitos anos, por seu mestre.
O célebre escritor francês Victor Hugo revelou-se literariamente aos treze anos.
Crianças outras demonstraram bem cedo sua genialidade, qual seja a de dominar várias línguas, como o alemão, francês, latim, grego e hebraico; compor, pintar; escrever poemas ou outras peças literárias.
Os Espíritos nos explicam com clareza que tais fenômenos de prodígio são devidos ao progresso anterior da alma, a uma lembrança do passado, entendendo-se como passado as vidas anteriores do Espírito.
Equivale pois a dizer que nada do que se aprenda é perdido, em tempo algum.
Plenamente concorde com a Lei do Progresso, tais fatos nos levam a reflexões em torno dos talentos de que somos portadores, convidando-nos a atentar para o que possamos ter trazido de vidas passadas.
Descortina-se a razão pois que renascemos não somente para resgatar débitos, acertar problemas do ontem mas também para amadurecer avanços iniciados em outras encarnações.
Aqueles que mais sabem, que trazem melhores mensagens de vida e maiores experiências, são convidados a trabalhar em prol da vida mais bela e elevada.
É desta forma que benfeitores da Humanidade retornam vez ou outra ao cenário da Terra, revestidos de uma roupagem carnal diferente, para atender seus irmãos.
Quem haja se evidenciado nas artes e tenha brindado o mundo com produções belíssimas, pode retornar para se dedicar ao bem do próximo, exercitando a sensibilidade de outra forma.
Quem tenha se esmerado na Ciência, pode retornar servindo à comunidade em outro campo, totalmente diverso, sem perder jamais, em momento algum, o que aprendeu, exercitou, lecionou.
Isso também explica a facilidade de algumas pessoas para determinadas áreas do saber, das artes, da indústria, do comércio, das relações humanas.
Parafraseando Lavoisier: Nada se perde... tudo se transforma. E diríamos: para melhor.

O fenômeno do Espírito retornar à carne, em outro corpo especialmente preparado para ele, se chama reencarnação.

A reencarnação constitui excelente oportunidade de aperfeiçoamento, concedida por Deus, para o Espírito.

Assim, vale a pena aproveitar cada minuto da presente existência, fazendo o melhor que estiver ao nosso alcance.

(com base no artigo Crianças-prodígio, publicado no informativo SEI, nº 1576)

MEDIUNIDADE NOSSA DE TODOS OS DIAS


O fenômeno é dos mais antigos.
Recuando no tempo, encontramos registros em um dos livros primeiros da Humanidade, a Bíblia.
No versículo segundo, do capítulo primeiro do livro de Gênesis, se lê: As trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus movia-Se sobre as águas.
O homem pressentia a presença do Criador. O que quer dizer, o homem registra, desde sempre, o Mundo além da esfera física. O Mundo dos seres espirituais.
Paulo de Tarso, dando-se conta dessa percepção especial do ser humano a denominou dom.
E a respeito se estendeu em sua Epístola aos Coríntios, descrevendo as suas variedades.
Enquanto na Terra, o Homem de Nazaré deu provas múltiplas da inter-relação entre ambos os Mundos, físico e o espiritual.
Falou aos Espíritos atormentados e que se chamavam Legião, na cidade de Gadara; aos que agrediam o jovem que Lhe é trazido para ser curado.
Senhor dos Espíritos – assim O denominaram por descobrirem que os Espíritos Lhe obedeciam.
Seria somente no século XIX, no entanto, que esse dom seria amplamente estudado e decodificado, pelo sábio Allan Kardec. E ele lhe deu nome específico: mediunidade.
A capacidade de ser intermediário entre um mundo e outro, entre uma e outra dimensão. Médium, ou intermediário.
Ainda hoje bastante incompreendida, é a mediunidade, contudo, uma faculdade inerente ao ser humano.
Dela quase todos os homens têm resquícios. Alguns mais, outros menos.
Mas, quem já não teve a impressão de ter alguém, incorpóreo, ao seu lado, velando por si, em horas dolorosas?
Quem já não se referiu à interferência de seres angélicos em momentos de grande dificuldade?
Quem não entregou o filho que parte para terras distantes aos cuidados de um ser que chama anjo de guarda, anjo guardião, protetor, orientador?
Quem já não ouviu o sussurrar de vozes imperceptíveis, no interior de si mesmo?
Dificilmente se encontrará alguém que disso tudo não tenha um mínimo registro, senão por si mesmo, por alguém de sua família.
Isso nos diz que o Mundo Espiritual se faz presente de forma constante no Mundo físico.
Pode-se dizer que há uma interpenetração de um e outro.
Movemo-nos na esfera física. Nossos atos e pensamentos repercutem na esfera espiritual.
Ninguém segue só. Como dizia o Apóstolo Paulo: Estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas.
Sombras, Espíritos, guias. Não importa como os chamemos, eles são realidade.
E silenciosamente velam por nós. Discretamente nos orientam. Sutilmente nos vão dando notas de que têm sobre nós seus atentos olhares.
*   *   *
Quando estiver a ponto de desanimar por se acreditar só, abandonado, pense que alguém, da Espiritualidade, guarda a sua vida e vela por você.
Você pode não crer. Mas não importa. Mesmo assim, os que o amam estão com você.
(Redação do Momento Espírita)

A EXISTÊNCIA DA ALMA - DOIS CASOS DE DESDOBRAMENTO

Aparição tangível de um estudante

Diz o reverendo P. H. Newnham, Vicariato de Devonport:

“No mês de março de 1856, estava eu em Oxford, fazendo o último ano do meu curso, e ocupava um
quarto mobilado. Era sujeito a violentas dores de cabeça nevrálgicas, sobretudo enquanto dormia. Uma noite, por volta das nove horas, a dor se tornou insuportável; atirei-me na cama sem me despir e
logo peguei no sono. 

Tive então um sonho de nitidez e intensidade notáveis. Guardo ainda na memória, tão vivos como quando o estava tendo, todos os pormenores desse sonho. Sonhei que me achava em casa da família daquela que mais tarde se tornou minha mulher. Todos os rapazes e raparigas tinham ido deitar-se e eu ficara a conversar, de pé, junto ao fogão; depois, dei boa-noite aos que comigo conversavam, tomei da minha vela e fui também me deitar. Chegando ao vestíbulo, verifiquei que minha noiva ainda estava subindo para o andar superior e que no momento chegava ao topo da escada. Subi quatro a quatro a escada e, alcançando-a no último degrau, passei-lhe o braço pela cintura. Ao subir a escada, levava eu na mão esquerda o meu castiçal, o que, entretanto, no sonho, não me atrapalhava. Despertei então e quase de seguida um relógio da casa deu dez horas. 
Foi tão forte a impressão em mim produzida por esse sonho, que no dia seguinte, pela manhã, escrevi à minha noiva, fazendo dele minuciosa narração. Recebi dela uma carta, porém não em resposta à minha, pois que as duas se cruzaram no caminho. Dizia assim: “Dar-se-á que você haja pensado em mim, de modo particular, ontem à noite, cerca das dez horas? Quando subia a escada para me ir deitar, ouvi distintamente seus passos atrás de mim e senti que você me passava o braço pela cintura.” 
As duas cartas estão atualmente destruídas. Alguns anos, porém, depois dos fatos, recordamo-los, ao reler cartas antigas, antes de as destruirmos. Reconhecemos nessa ocasião que se conservavam muito fiéis as nossas lembranças pessoais. Esta narrativa pode, Portanto, ser aceita como perfeitamente exata. 

P. H. Newnham.”

É evidente, neste caso, a relação de causa e efeito. O sonho do moço estudante é reprodução da realidade. Durante o sono*, a alma se lhe desprendeu do corpo e se transportou para junto de sua noiva. Foi tão intenso o desejo que experimentou de abraçá- la, que determinou a materialização parcial do perispírito, isto é, do seu duplo. O fato é positivo, pois a moça diz ter ouvido distintamente passos que subiam a escada e a sensação de um braço que a envolvia pela cintura é também positivamente afirmada. Estes pormenores, referidos de modo idêntico pelos dois protagonistas da cena, sem que tenha havido qualquer combinação entre eles ou qualquer previsão, afastam, evidentemente, toda ideia de alucinação.

*Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
- Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos. (Questão 401 de "O Livro dos Espíritos")

Efeitos físicos produzidos por uma aparição 

O Dr. Britten, no seu livro: Man and his relations, cita o caso seguinte: 

“Um Sr. Wilson, residente em Toronto (Canadá), tendo adormecido no seu escritório, sonhou que se achava em Hamilton, cidade situada a 40 milhas inglesas a oeste de Toronto. Fez em sonho suas cobranças habituais e foi bater à porta de uma amiga, a Sra. D... Acudiu uma criada, que o informou de que sua patroa saíra. Apesar disso, ele entrou e bebeu um copo d’água, depois do que saiu, incumbindo a criada de apresentar seus cumprimentos àquela senhora. E o Sr. Wilson despertou após 40 minutos de sono.
Passados uns dias, uma Sra. G..., também residente em Toronto, recebe uma carta da Sra. D..., de Hamilton, contando que o Sr. Wilson fora a sua casa, bebera um copo d’água e partira, não mais voltando, o que a contrariara, porquanto teria gostado imensamente de o ver. O Sr. Wilson afirmou que, havia um mês, não ia a Hamilton; mas, recordando-se do sonho que tivera, pediu à Sra. G... que escrevesse à Sra. D..., rogando-lhe não falasse do incidente aos criados, a fim de verificar se estes, porventura, o reconheceriam. Foi então a Hamilton com alguns camaradas e todos juntos se apresentaram em casa da Sra. D... Duas das criadas reconheceram no Sr. Wilson a pessoa que lá fora, batera à porta, bebera um copo d’água e deixara recomendações para a Sra. D...”

Este caso nos apresenta a alma a realizar uma viagem durante o sono e lembrando-se, ao despertar, dos acontecimentos ocorridos no curso do desprendimento. O duplo se torna tão material, que bate à porta e bebe um copo d’água, é visto e reconhecido por estranhos. Claro que aqui já não se trata de telepatia; mas, sim, de bicorporeidade* completa. A aparição, que anda, conversa, engole água, não pode ser uma imagem mental: é verdadeira materialização da alma de um vivo.

Gabriel Delanne
("A Alma é Imortal", Cap. 4 - O Desdobramento do ser humano)

*Bicorporeidade: Em alguns casos  pode o  espírito  de um vivo dissociar-se de seu corpo material  e mostrar-se com todas as características  que apresenta em vida. É seu corpo espiritual ou perispírito  que se desloca e materializa-se.


terça-feira, 14 de junho de 2016

A EXEMPLO DE JESUS



Em um dos departamentos da Vida Espiritual, o orientador escutava a reclamação do recém-chegado da Terra, que tentava explicar-se:

- Fui muito criticado... as pessoas sempre apontavam defeitos em mim... Observações contundentes palmilharam o meu caminho... Quase tudo que eu fizesse, era motivo de chacotas...

- Meu irmão - ponderava o atendente com paciência, enquanto procedia o preenchimento de um formulário -, a critica quase sempre é um alerta para que estejamos vigilantes... Por detrás da intenção dos que nos criticam, muitas vezes com propósitos escusos, vige a intenção de Deus em nos corrigir... As palavras dos que se referem de maneira intempestiva às nossas atitudes não podem ser assim tão desprezadas por nós...

- Mas a questão - contra-argumentava o amigo, indignado - não é tão simples... Não estou tão-somente me queixando das criticas que me eram feitas; estou aborrecido, pois, a rigor, aqueles que me criticavam não tinham condição alguma para tanto... Tão frágeis quanto eu mesmo, sabia de suas limitações e mazelas... O que criticavam em mim, eu poderia ter criticado neles com mais razão... Ainda se tivesse sido criticado por pessoas de conduta irrepreensível!... Mas não: eram pessoas piores do que eu as que me agrediam...

Dando o assunto por encerrado, o preparado recepcionista dos recém-desencarnados, sentenciou:

- Meu irmão, os que teriam, no mundo, digamos, condições morais para atirar a primeira pedra são justamente aqueles que, a exemplo de Jesus, nunca se sentiriam animados a fazê-lo!...

Espírito Ramiro Gama
Médium Carlos A. Baccelli
Livro "Vida de Médium"